Com o re-lançamento da questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo, alguns elementos da sociedade civil, têm invocado Sigmund Freud, o pai da Psicanálise, como argumento contra a igualdade de direitos, baseados na teoria de Freud de que a homosexualidade seria uma doença, a partir da ideia de uma fixação no desenvolvimento sexual.
A teoria psicanalítica trouxe leituras inovadoras acerca do comportamento humano, colocando a tónica na sexualidade humana como elemento explicativo dos conflitos (intra-psíquicos) humanos e suas manifestações patológicas. Ao longo dos séculos, sofreu várias mudanças introduzidas pelos seus seguidores e renovou-se a par da evolução do conhecimento.
Para que fique registado, o próprio Freud não considerava a homossexualidade uma doença mental, como se pode ler nos seus trabalhos publicados, como por exemplo: “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade”. E, citando-o: “a homossexualidade não é seguramente uma vantagem, mas não é nada de que se possam envergonhar, nem degradante, não poder ser classificada como doença, nós consideramos que seja uma variante da vida sexual”. (Carta para uma mãe americana)
A ciência pode ser uma arma e um perigo nas mãos dos “pensadores” rígidos ou entidades que pararam no tempo. Freud poderia muito bem querer explicar a homossexualidade mas seguramente diria: “Eu não admito que utilizem o meu nome para justificar a desigualdade de direitos entre as pessoas”.